sábado, 20 de março de 2010

Well, this is the end. Goodbye, and walk in the shade.

Bom, foi assim que o meu sonho impossível tornou-se realidade e eu me tornei, definitivamente, a garota mais feliz do mundo. Agora, eu sei que você deve estar se perguntando: Mas e os detalhes da viagem? Olha, isso é história para outro dia. Adeus diário tenha uma boa noite.

Ally V. Foreman.

I could never want a better birthday present than this. Miles, you rock.

Dentro do envelope havia uma passagem aéria para Vancouver, com meu nome impresso nela e, além disso, bilhetes comprados para diversos jogos dos muitos que iriam ocorrer nos Jogos Olímpicos de Inverno, principalmente para os jogos de hóquei, que é o meu esporte favorito. Abracei meu irmão com toda a força do meu ser, e agradeci eternamente por aquele maravilhoso presente. Ele sorriu e disso que eu merecia aquele presente, a final, meu aniversário seria dali à dois dias e eu faria dezesseis anos.

A lacy white envelope with a red ribbon has never had such a big effect on someone.

Quando ele morava conosco, aqui em Phoenix, nós não nos dávamos tão bem quanto agora que ele mora em Ottawa. Às vezes proximidade demais não é tão bom quanto parece. - Você está certa Al. – Miles me olhava com seus olhos mareados, silenciosos, apenas me encarando. Após sua súbita pausa, ele enxugou os olhos com as mangas de sua camisa, e me fitou sorridente mais uma vez. Ele se virou e pegou o pequeno envelope que havia deixado em cima do quinto degrau da escada, e o entregou para mim, dando instruções para que eu abrisse. Quando eu o fiz, quase desmaiei.

OMG! I can't believe that my brother is back. I think I'll pass out, yeah.

Meu irmão mais velho, que morava longe de nós, em Ottawa, no Canadá, estava em casa, sentado aos pés da escada, com um envelope branco laçado por uma fita vermelha nas mãos. Ao perceber minha presença, as facas pensativas de Liam tornaram-se radiantes e ele veio em minha direção, com os braços abertos e um lindo sorriso nos lábios, logo me envolvendo em seu forte abraço, que eu tratei logo de corresponder. Após o abraço, Liam me soltou e olhou profundamente em meus olhos meramente mortais e castanhos, com aquelas duas pedras verdes e brilhantes que ele chamava de olhos. - Quanto tempo Al. – Meu irmão me olhava de uma forma tão serena, como se procurasse algo em mim. – Você está tão diferente minha pequena. - Faz três anos Miles, as pessoas mudam, o tempo passa. – Respondi eu, sorrindo. Eu estava muito feliz em poder ver meu irmão de novo.

God, is there something in this world that's more beautiful and charming than the winter?

Assim que a confusão se acalmou, com metade dos alunos já dentro dos seus respectivos ônibus, sai do prédio onde eu tinha as duas últimas aulas do dia, com Chris e meu outro amigo, Mitch, em meu encalço e assim nós três seguimos atravessando o grande pátio e mais adiante, as ruas que levavam as nossas casas, vizinhas de calçada, que naquele momento estavam começando a serem cobertas por um lindo tapete de neve branca que caia do céu em flocos perfeitamente moldados em forma de estrelas. Como eu adoro o inverno. Chris, Mitch e eu caminhamos, todo o nosso caminho, embalados em uma conversa animada, sobre os Jogos de Inverno, que ocorreram naquele ano, pouco antes do Natal, e nem percebemos direito quando chegamos às nossas casas. Por mais que nossa conversa estivesse muito boa, eu não pude evitar me entristecer um pouco com tudo aquilo, a final, os Jogos de Inverno seriam logo em Vancouver. Nós nos despedimos e fomos cada um para sua respectiva casa, e, ao abrir a porta da minha, eu tive uma grande surpresa.

Great! Finally the Christmas break has arrived!

Quando o sinal que terminava o sétimo e último tempo soou, todos os meus colegas saíram correndo porta a fora como loucos, gritando e jogando algumas folhas para o alto, indo em direção ao pátio central do nosso colégio, onde os enormes ônibus amarelos ficavam estacionados. A animação deste povo nas sextas à tarde é realmente impressionante, mas eu não posso dizer que toda aquela bagunça e alegria eram sem sentido algum, porque definitivamente não eram. Aquela sexta-feira era dia 16 de Dezembro, o último dia de aula antes do recesso das férias de inverno, e todos estavam completamente extasiados com a idéia de ter três semanas sem aulas.

Oh, that is students' grades. I thought his red pen had broken out there.

- Ally, quais são os principais idiomas que se falam no Canadá? - Francês e inglês Srª. Toewns. - E por que são dois idiomas e não apenas um como é aqui nos Estados Unidos? - Porque o Canadá foi colonizado por ingleses e franceses, e não apenas por um país. Por isso são dois idiomas oficiais. – A Srª. Toewns abriu um grande sorriso assim que eu terminei de dizer a minha resposta. - Parabéns Ally, mais um dez na minha matéria. – Disse ela sorrindo, eu sorri também, e todos da sala aplaudiram meu ótimo desempenho na chamada oral, principalmente Chris. É tão bom saber que seus amigos têm orgulho de você. Assim que os aplausos cessaram, eu voltei para o meu lugar e passei o resto daqueles sessenta minutos de aula conversando com Chris e Greg, que também já tinham respondido suas questões, enquanto a Srª. Toewns continuava com as perguntas para o resto da classe e rabiscava notas, alternando entre vermelho e azul, porém na maioria das vezes em vermelho, no seu diário, o que me dava à impressão de que sua caneta vermelha havia estourado por ali.

Travels, thoughts away, back to reality, called oral.

Por mais que eu detestasse concordar, Chris estava certo. Eram raras às vezes em que não acontecia de eu estar na aula em um primeiro momento e que apenas alguns segundo depois, eu já estar viajando nos meus pensamentos. Eu sempre vivia perdida no tempo. Sempre viajando para longe de Phoenix. Mas minha viagem não durou por muito mais tempo, porque mal se passaram dois minutos do monólogo entre eu e meu melhor amigo, e a professora me chamar para ir à frente da sala, a fim de que eu respondesse suas questões, como era de costume ela fazer, pois era uma sexta-feira. Não qualquer sexta, mas ainda assim uma sexta. Levantei-me de minha carteira que ficava localizada no fundo da sala, e fui à frente, parando perto da lousa e esperando que ela fizesse suas questões.

As Steven would say: Dream on.

Sonhos. Todos sonham. Sonham coisas diferentes. Alguns sonham em conhecer seus ídolos, outros sonham com o amor perfeito, como aqueles que vemos em contos de fadas. Mas, o meu sonho não é sobre nenhuma dessas coisas. Meu sonho é mais simples, ao meu ver. Eu sonho com uma viagem, uma grande viagem, para as terras mais magníficas do mundo, para o paraíso congelado, Vancouver. - Acorde Al, a professora irá fazer uma chamada oral – Meu amigo, Chris, me sacudia de leve na carteira. – Mais uma vez perdida no tempo e espaço não é Ally? – Ele terminava de falar enquanto ria baixo. - Eu vivo perdida, como você mesmo diz Christopher. – Respondi eu, rindo com ele.

Welcome, folks.

"Sonhar. Alguns acham esse simples ato uma coisa tão infantil e fantasiosa que deixar de faze-lo, e acabam por esquecer seus maiores sonhos guardados dentro de uma pequena caixa empoeirada enconstada nos cantos mais remotos da nossa memória. Mas, tomem cuidado ao fazer isso, porque, as vezes, até os nossos sonhos mais impossíveis, se tornam realidade."

Sonhar é tudo que Ally faz, todos os dias de sua vida. Mas ao contrário de muitos, ela não sonha com coisas como o amor perfeito, como em contos de fadas, ou conhecer seus ídolos. Ela sonha algo além disso..